Sejam bem-vindos! Este espaço é dedicado aos automóveis. Aqui quero expressar minha opinião a respeito dos mesmos e ainda a minha visão do mercado. Não sou engenheiro, não tenho ligação com nenhuma montadora apesar de desejar isso. Quero contribuir de uma maneira positiva e saudável. Que o que seja escrito aqui sirva de combustível para conversas entre amigos, entusiastas e por que não também em alguma mesa de executivos do setor. Espero que gostem. Um abraço!
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Segurança Nacional
Segurança nos carros agora é lei. Pelos menos será a partir de 2014 (Não tem nada a ver com a copa), todos os carros obrigatoriamente terão que ter airbag e freios ABS (aquele que não trava a roda e faz com que o carro mantenha a trajetória) de série. Estou escrevendo isso agora porque a idéia do blog veio bem depois da lei. Isso é bom? Talvez seja. Vejo essa lei como uma oportunidade não exatamente de melhorar a segurança dos veículos, mas sim como a chance do brasileiro mudar seus conceitos e ainda mais importante que isso sua cultura. Em qualquer roda de conversa alguém uma vez na vida ouviu ou já até disse a seguinte frase “brasileiro é isso, brasileiro é aquilo”. Isso não tem graça, mas sim tem problema. Querendo ou não, gostando ou não, sendo patriota ou não, somos brasileiros. É o que diz a certidão de nascimento, nesse caso vale o documento. Acredito que muitos gostariam de ter nascido em algum país europeu (ocidental claro!) ou nos Estados Unidos, mas infelizmente ou felizmente estamos aqui e falamos o português do Brasil. Os outros países que falam o idioma português, é o mesmo que se fala em Portugal. Existe um termo em latim para definir exclusividade “sui generis” que explica essa nossa situação. Dessa forma, criamos uma cultura e exportamos esse estigma de que aqui tudo é diferente e que não funcionaria se fosse de outro jeito, o tal jeitinho brasileiro nunca me irritou tanto como agora. Talvez o termo irritação possa ser mudado para indignação e essa indignação causa irritação. É uma confusa questão de lógica que acabei de criar. Olhando para o mercado, algumas situações a priori irão causar um problema a posteriori. Pelo fato do Brasil ser um país emergente e sempre comparado a outros países em situação semelhante (os BRICs – Brasil, Índia, Rússia e China) e essa característica resulta obrigatoriamente carência em diversos setores da economia referente à infra-estrutura e como conseqüência disso bens de consumo. Um exemplo disso, há 14 anos telefonia móvel era rara, cara e deficiente. A partir do momento que houve investimento (privado, graças às privatizações no sistema) a demanda reprimida (as pessoas e empresas precisavam se comunicar!) fez com que houvesse uma explosão no consumo e hoje temos mais assinaturas móveis do que fixas. Isso é acesso, resultado do crescimento econômico e muito mais importante do que isso no médio e longo prazo é o desenvolvimento econômico. Isso que vale na hora de medir a qualidade de vida de um país. Por conta disso, no mercado de automóveis a situação não teria como ser diferente. O automóvel não é somente um meio de transporte, mas também símbolo de ascensão social, não olhando pelo lado do status, mas sim como conseqüência natural de quem está melhorando de vida e precisa suprir suas necessidades. O que a indústria faz oferecendo produtos diferentes, o quanto ela cobra por isso e diz que pra você ter esse ou aquele carro, seu estilo de vida e perfil é o “x”, isso é marketing. Independente de o consumidor adquirir um carro usado, semi-novo ou novo, para que isso seja possível ele precisa de crédito e conseqüentemente uma renda pra poder arcar com a compra e manutenção desse patrimônio em seus diversos níveis. Ou seja, comprar e trocar de automóvel, é um processo natural. Essa naturalidade está vindo com uma oferta que em minha opinião pode ser perigosa. Falo isso em relação ao carros chineses que estão entrando agora em nosso mercado. É um desafio tanto para o Brasil tanto para o setor como um todo, pois é evidente a vantagem competitiva (isso é Porter!) que os chineses possuem no que diz respeito a preço, pois eles possuem uma estrutura de custo menor em seu país no que diz respeito às questões trabalhistas e tributárias. O fator cambial nesse caso aqui também pode ser levado muito em consideração, mas proporcionalmente, qualquer variação a maior, as marcas de maior valor agregado são as que sofrem mais com essas pressões. Um carro chinês que não atingir o mínimo de segurança nos testes de colisão, sequer pode colocar seu pneu em solo europeu e aqui de certa maneira isso parece ser ignorado. Em uma renomada revista brasileira de grande circulação, era realizado um teste de longa duração com um desses carros recém-chegados ao nosso mercado e teve que ser interrompido porque a revista não achava mais seguro continuar com aquele veículo. O que mais chama a atenção que o representante da marca no Brasil reconheceu os erros na pós-venda (isso é outra coisa) e também no projeto do carro. Para se ter uma idéia, quem conhece um pouco sobre automóvel, a suspensão dianteira do carro, tinha a mesma concepção da do FIAT 147. Nada contra a FIAT, mas o 147 começou a ser fabricado em 1977. Estamos em 2010. O que impressiona é o carro foi homologado pra rodar aqui. O carro chinês ostentava na época o titulo de carro mais barato do Brasil. Vejo isso como uma falta de respeito não só com o comprador do carro, mas sim do Brasil com o brasileiro. Em 2014 quando esses carros obrigatoriamente precisarão ser mais seguros teremos uma frota velha insegura. Vejo da seguinte maneira, se é do interesse do país em admitir carros vindos de outros países, seria necessário elevarmos o padrão para esse tipo de veículo, para que no longo prazo, não tenhamos uma frota envelhecida e insegura. A idade da nossa frota tem 10 anos em média. Vai levar tempo até que a maioria da frota “envelheça com qualidade” isso é verdade, mas é possível se o país começar a fazer de outra maneira. O carro chinês pode ter qualidade e segurança sim, e pode ser vendido aqui, o que me chama atenção é a questão do momento e do produto oferecido. Da mesma maneira que o governo instituiu “exija nota fiscal”, ele deveria “exigir segurança” para que fosse possível a venda carros no mercado interno. A FIAT, por exemplo, a partir da linha 2010 nos modelos Adventure com exceção da Strada, todos passaram a incorporar ABS e airbag de série. A VW por sua vez, um pouco mais tarde, colocou os mesmos equipamentos nas versões top de linha do Fox (Prime) do Golf (Sportline) e do Crossfox. É um bom começo, muito bom, aliás. Isso mostra que daqui a 4 anos, esses carros que serão usados irão dar lugar aos novos com a mesma segurança, fazendo com que nossa frota envelheça melhor. Vejo isso ainda de uma maneira mais positiva ainda de colocar isso na cultura do motorista brasileiro, pra que isso sirva de exemplo para a nova geração de motoristas pra não pensar que esses itens são exclusivamente de carros mais luxuosos. Segurança não é luxo, mas sim necessidade em qualquer meio de transporte. Existem metas anuais para incorporar esses itens aos veículos, justamente para as montadoras adaptarem seus projetos atuais e futuros no que diz respeito a custo e escala, de forma que em 2014 todos sejam oferecidos com esses equipamentos. Complementando, o atual Mille, vai sair de linha em 2013, deixando o “Novo Uno” com a missão de continuar sendo o carro de entrada da marca, com certeza terá uma redução no nível de equipamentos e opções, dessa forma diminuindo seus custos. Da mesma forma que o carburador não faz parte da geração de quem nasceu em meados dos anos 90, o ABS e airbag não fará para as próximas gerações. Isso é como educação ambiental, é mais fácil conscientizar a geração nova do que a antiga, pois pra quem está chegando, seria algo natural. Como um dia trocarmos os nossos carros. Independente dele custar 20 mil ou 200 mil, que pelo menos eles tenham a mesma segurança. Para Maslow, a necessidade de segurança é básica, seja física ou mental. Que o pessoal do marketing reveja o que foi lido na universidade e venda essa idéia com o mesmo brilhantismo que eles conseguiram vender um automóvel com projeto mecânico de 33 anos atrás, não porque segurança é lei, mas sim porque segurança é um produto e o mercado tem essa necessidade. Um abraço!
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