Sejam bem-vindos! Este espaço é dedicado aos automóveis. Aqui quero expressar minha opinião a respeito dos mesmos e ainda a minha visão do mercado. Não sou engenheiro, não tenho ligação com nenhuma montadora apesar de desejar isso. Quero contribuir de uma maneira positiva e saudável. Que o que seja escrito aqui sirva de combustível para conversas entre amigos, entusiastas e por que não também em alguma mesa de executivos do setor. Espero que gostem. Um abraço!
domingo, 8 de agosto de 2010
Esporte Nacional
Eu sempre assisto programas sobre automóveis e um em especial me chama muito a atenção que é o conceituado programa inglês Top Gear da BBC. Nesse programa, os três apresentadores expressam suas opiniões de uma maneira bem direta, chegando às vezes em três pontos de vista completamente diferentes. Vejo isso de uma maneira positiva. Em uma coisa eles concordam, são fãs e muito parciais em relação aos carros que são britânicos, como Aston Martin e Land Rover. Por causa disso, resolvi olhar para os nossos esportivos nacionais. Quem hoje está na faixa dos 35 – 40 anos sempre fala com nostalgia e entusiasmo dos esportivos da década de 80 e começo de 90 como o VW Gol GTi, Ford Escort XR3, Kadett GSi. Não quero falar do Fiat Uno. Nessa época não tínhamos a tecnologia e nem a concorrência de hoje, pois nosso mercado era “fechado”, carro importado por aqui era raridade e isso mudou a partir do governo do Collor, em 1990. A abertura comercial foi boa para a indústria, o consumidor saiu ganhando. No final da década de 80, o VW Gol GTi foi o pioneiro em oferecer injeção eletrônica em um carro fabricado no Brasil, pra época um avanço tecnológico muito significativo, afinal, se passaram 20 anos. Um jovem que hoje está fazendo 18 anos e tendo a oportunidade de comprar um automóvel já vem como essa tecnologia que é presente em 100% de todos os carros produzidos, o carburador é uma realidade que não pertence à sua geração. A geração dos carros esportivos de hoje possuem muito diferenciais do que o mesmo carro simples da linha. Hoje falamos em airbags, controle de tração, ESP, EBD, além das diferenças mecânicas. Olhando para o nosso mercado, temos algumas poucas opções de carros esportivos ou como aqui quero chamar de “pseudo-esportivos”. Pegando as 4 grandes, na linha VW temos o Golf GT 2.0, na linha Fiat temos o Punto T-Jet e o Stilo Sporting, na linha GM temos o Vectra GT/GTX e na linha Ford, não temos nada. E o Focus hatch? Ele só tem a versão “normal” e nenhuma exclusivamente esportiva aqui no Brasil. O único carro que tem uma mecânica diferente dos demais da linha é o Punto T-Jet que tem um motor turbo importado da Itália. De resto, todos os outros apresentam apenas diferenciais estéticos e alguns acessórios como teto solar, rodas diferenciadas e variações no acabamento. Só. Como negócio, esses carros acabam sendo interessantes, pois como são mais completos às vezes vale mais a pena comprar o modelo esportivo (mesmo que você tenha 50 anos e vá apenas ao supermercado e à igreja) do que comprar o modelo de linha e colocar os todos os opcionais, pois o carro desvaloriza a partir do valor de tabela e não do valor é pago por ele. A exceção à essa regra é o Honda Civic Si, que vende pouco e esse sim tem a mecânica diferente dos demais carros da linha. Em relação ao modelo mais barato da linha o LXS, no que diz a segurança, a diferença são os airbags laterais e o controle de tração. De estética, são rodas 17, retrovisor com pisca integrado e um pseudo-aerofólio. Na parte mecânica, muda um pouco. O motor é 2.0 ante 1.8 de toda a linha e o cambio exclusivamente manual de 6 marchas (que beleza!!). Por dentro, o acabamento é predominante preto com detalhes em vermelho, diferente de todos os outros que são tons de cinza. Pra ser ainda mais diferente dos demais, é um veículo sedã. Nada contra, de verdade. A minha critica em relação ao modelo é o câmbio, que poderia ser oferecido com a opção automática com o recurso do paddle-shift, presente no LXL e EXS. Isso daria um aspecto mais esportivo e claro, teto solar. Quem tem o Civic ou já teve, ou ainda já dirigiu, sabe que é um bom carro. A grande maioria do público desse carro são pessoas que vêm em uma crescente na escala automotiva, principalmente os novos consumidores. Por isso, vejo que esse cliente exige itens de um maior valor agregado no seu carro. O câmbio com a opção seqüencial seria um desses itens. Pela essência, um esportivo com “pedigree” tem que ser manual, como por exemplo, os M da BMW e os Porsche. Mas esses clientes são bem diferenciados, diferente muito diferente do comprador de um Civic Si ou de qualquer outro esportivo e ainda de veículos na mesma faixa de preço de R$ 100 mil. Muitas vezes o esportivo é o primeiro carro ou o segundo carros da família, e o comprador de carros na faixa dos R$ 400 mil, não. Eu confesso que sinto falta de esportivos a preço razoável em nosso mercado, e essa carência pode ser vista de certa forma refletida no mercado de acessórios, pois a prática do tunning estético é bem evidente nas ruas. Em unidades, o nosso mercado é grande, são 3 milhões de carros 0km produzidos aqui, mas em diversidade de modelos, não. Para se ter uma idéia, 80% do mercado aproximadamente é 1.0 o chamado “popular”. É engraçado isso, esse conceito surgiu há 20 anos com o Uno Mille graças a um acordo tributário na época e o carro popular hoje custa quase R$ 30 mil em alguns modelos. Se o interesse é alinhar com o custo de casas populares (em torno de R$ 50 mil) está no caminho certo, mas quem ganha salário mínimo não consegue adquirir um carro nesse preço. Mas nesse mercado que eu chamo de “commoditizado” o que interessa é preço, e não valor agregado. Os outros 20% restantes, está pulverizado entre todos os acima de 1.0 . É pouco. Talvez isso explique a razão de em alguns segmentos específicos serem carentes. Em cada época, nosso mercado responde a um determinado tipo de produto, tivemos no inicio dos anos 2000 a explosão das minivans, depois foram os sedãs médios, picapes médias e utilitários esportivos. Rumores do mercado dizem que o Gol GTi deve voltar. Se isso realmente for verdade, tomara que venha com um DNA esportivo, não apenas estético, mas mecânico, mesmo que na estrada não seja permitido ultrapassar os 110-120 km/h. Mas e daí? Vale o prazer em dirigir, pois o esportivo não traz consigo só a velocidade, mas sim inovações mecânicas e tecnológicas que podem ser aplicadas em escala aos demais veículos da linha. Bom, daí o esportivo deixa de ser esportivo e se torna um carro comum de linha, e pra ser diferenciado dos outros, recebe um pseudo-aerofólio, uma roda diferente e um emblema “S”. É um paradoxo! Dirijam com cuidado. Um abraço!
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