Nesse post não vou falar nada em relação aos automóveis. Vou aproveitar esse espaço para comunicar aos que lêem este humilde blog que apesar das atualizações não ocorrerem de forma regular e constante, minhas sinceras desculpas. O que quero dizer é que após 1 ano de blog (serão completados em 30 de julho próximo) resolvi mudar algumas coisas e por isso quero voltar com um novo formato, com novos assuntos, uma reformulada na página. Por isso vou me ausentar por um período e assim que tiver em condições de voltar, o farei. Agradeço a todos os seguidores do auto análise blog do twitter e leitores regulares, também a todos que elogiaram, incentivaram e criticaram, sempre agregando valor à este blog. Conto com vocês novamente em breve. Muitíssimo obrigado!
Um abraço.
Sejam bem-vindos! Este espaço é dedicado aos automóveis. Aqui quero expressar minha opinião a respeito dos mesmos e ainda a minha visão do mercado. Não sou engenheiro, não tenho ligação com nenhuma montadora apesar de desejar isso. Quero contribuir de uma maneira positiva e saudável. Que o que seja escrito aqui sirva de combustível para conversas entre amigos, entusiastas e por que não também em alguma mesa de executivos do setor. Espero que gostem. Um abraço!
domingo, 10 de julho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Das Auto
Das Auto é o termo em alemão para “O Carro”, ou simplesmente, “automóvel”. Foi utilizado para ilustrar a renovação da identidade e dos produtos da marca Volkswagen no mundo, e que, no Brasil foi introduzido como “Carro Mesmo”. De fato a VW mudou. Mudou para melhor, diga-se de passagem. A idéia do texto teve a motivação e ou inspiração no mais novo lançamento da marca, o VW Jetta e também em algumas críticas que li sobre o modelo, tanto positivas quanto negativas. Aqui não farei um informe publicitário e ou recomendação de compra (consumer advice), apenas quero ilustrar a questão e o conceito de posicionamento de produto. Em marketing, conceitua-se posicionamento como a projeção da oferta e da imagem da empresa fazendo que ela ocupe uma posição competitiva significativa na mente dos clientes-alvo. Ainda, o princípio essencial sobre o posicionamento, é a preocupação de como os clientes em diferentes partes do mercado percebem os concorrentes, os produtos e claro, as marcas. O interessante dessa estória é que a Volkswagen ficou mais de uma década apenas figurando no segmento de sedans médios, que nesse período fora dominado pela Chevrolet com o Vectra, e mais recentemente pelos japoneses Honda Civic e Toyota Corolla, que são os referenciais nesse mercado no que diz respeito a confiabilidade, durabilidade, custo-benefício, qualidade e imagem. Imagem? Sim, imagem. Não é um Kia Soul da vida, nem um Audi A1, VW Beetle, Smart, Mini-Cooper e Fiat 500. Esses carros eu classifico como “peça de vestuário”, pois é uma extensão do guarda-roupa do proprietário, uma pessoa que tem um estilo de vida e estilo de comportamento bem diferenciado do público-alvo dos sedans médios. A imagem que me refiro é a imagem do carro que é honesto na sua proposta, que resume um estilo de vida “sem excessos”, ou melhor, “apenas o necessário”. Essa é a essência dos sedans japoneses, não tem luxo, não tem nada além do necessário. Ainda, pelo fato desses veículos oferecerem apenas versões “completas” talvez o mais adequado fosse “versões com pacotes fechados” sendo que o diferencial de conteúdo entre as versões eram estéticos (roda diferenciada, maçaneta cromada) e alguns acessórios mínimos (ar digital, farol de xenônio e sensor de estacionamento, bancos dianteiros elétricos), que na maioria das vezes, o consumidor que valorizasse esses itens, poderia sem problema instalar os acessórios em sua grande maioria, facilmente encontrados no mercado. Mesmo assim, os sedans japoneses externamente eram (e são) praticamente os mesmos entre suas versões “fechadas”. Em outras palavras, são conservadores, e como alguns gostam de classificar “low profile” (discreto), apesar da campanha publicitária do Corolla buscar o público mais jovem e o do Civic que teve em sua 8ª geração uma “quebra de paradigma” no que tange a estilo e esportividade, que resultou em um carro de dupla personalidade, podendo ser um carro executivo e um esportivo, dependendo de quem estiver ao volante. Os demais – Mégane, 307 Sedan, C4 Pallas, Vectra (foi bem até 2003) e Focus (até 2008, modelo antigo), brigavam entre eles, olhando Civic e Corolla nas primeiras posições. A VW ficou de fora, mesmo tendo dois produtos, o Polo Sedan e o Bora. Mais tarde, para preencher o “gap” tecnológico em relação aos novos concorrentes do setor, para ter um produto competitivo, veio o Jetta IV oriundo do México, fabricado na mesma plataforma do Golf IV alemão (a Jetta Variant, na verdade é Golf Variant na Europa, esse nome ficou no México e no Brasil, pelo fato de ser feita na mesma plataforma). O motivo do Jetta estar hoje entre nós é resultado de dois nomes de peso: O primeiro deles a oferecer um conteúdo superior a preço competitivo, foi o Fusion da Ford, e em um segundo momento, a responder o movimento da Ford, foi a Hyundai com o Azera, colocando ainda mais conteúdo com um preço mais competitivo. Em outras palavras, esses dois carros em seus países de origem pertenciam a segmentos superiores ao que estavam competindo aqui, fazendo que dessa forma na faixa acima dos R$ 80 mil se encontravam os modelos “top” dos japoneses e esses dois “bem acima da média”. Por conta disso, a VW trouxe o Jetta, primeiramente com 150cv, que devido à concorrência ela foi obrigada a dar um upgrade, que a partir de 2008 passou a vir com 170cv, uma sensível diferença. O Jetta, classificado como sedan médio, está posicionado em um segmento que compreende uma faixa de preço a partir dos R$ 60 mil até R$ 100 mil. Parece exagero? Sim e não. Sim se considerar o Jetta Comfortline básico custando R$ 65 mil enfrentar um Fusion de R$ 90 mil. Não se considerarmos o Jetta Highline enfrentando o mesmo Fusion. Por que isso? Simples, são carros diferentes, mesmo tendo o mesmo nome. O mais interessante disso tudo, é que apesar de diferentes, eles conseguem ter a mesma essência, muito diferente de você dirigir e ou possuir, versões básicas e “top” respectivamente de um Civic (LXS / EXS) ou um Corolla (XEI/ Altis) que são exatamente a mesma coisa, o que pode explicar em parte um baixo volume de vendas das versões “top”. O lado bom disso é que se você dirigir um Jetta Comfortline (2.0 Flex, nosso velho conhecido, o mesmo do Polo Sedan 2.0, Golf e Bora, que sendo flex rende até 120cv com álcool), você sabe que o que te espera mais à frente é bem superior. O lado ruim, é que se você dirigir um Jetta Highline (2.0 Turbo, 200cv, o mesmo do Passat, Tiguan, A3 Sport / Sportback) seu referencial de automóvel será nivelado por cima e qualquer um abaixo dele ficará lento. Ele pode não ser o divisor de águas do segmento, mas contribui (e muito!) para elevar a média para cima. Por que isso acontece? Novamente, muito simples, a partir dessa faixa de preço, o próximo passo será entrar no segmento Premium, que a indústria considera a partir dos R$ 100 mil. A partir desse valor, as opções de sedans são: VW Passat R$ 106 mil, Audi A4 R$ 134 mil, Mercedes C180 CGI R$ 116 mil, BMW 320i R$ 114 mil, além de Toyota Camry, Honda Accord e Chevrolet Omega. Assim, o consumidor de um top japonês, seguindo uma escala evolutiva em preço e produto, ele pode pensar em adquirir esses modelos, e digamos que entre eles, o Jetta Highline, deixa o caminho mais curto. Na comunidade dos Premium, a marca ou a etiqueta, vale muito, e claro que nesse ponto, o mesmo motivo que a VW vai bem até R$ 100 mil, faz com que hoje ela não consiga ir além. Ruim? Sinceramente, não tenho uma opinião formada a respeito. Talvez o elo para se associar Volkswagen com “requinte e luxo” possa ser o novo Jetta. Por que não o Passat? Por que não o antigo Jetta? A resposta é novamente muito simples: volume. O Passat está posicionado no segmento Premium, ele participa, porém, os holofotes estão voltados para Audi, BMW e Mercedes. Em outras palavras, ele está na área Vip, mas existem Vips mais Vips. O Jetta anterior era bom, mas o melhor é inimigo do bom, e os outros com quem ele disputava espaço, eram melhores. Entenda melhor como mais competitivo. O que quero dizer é que uma posição competitiva pode ser construída em qualquer dimensão do produto e ou serviço que produz benefícios ao cliente no mercado, sendo que enfatizar o posicionamento é o que interessa para as percepções do cliente. Assim, o posicionamento não é o que se faz para um produto, mas sim o que você faz para a mente do cliente. Em outras palavras, o produto é posicionado na mente do cliente. O Jetta de agora, na versão Comfortline, tem como missão acolher os órfãos do Bora, os dissidentes do Polo Sedan e claro, os desertores de Civic, Corolla, Focus, Vectra (Expression e Elegance), Mégane, Fluence, C4 Pallas, 307 Sedan e 408. Logo vem o Hyundai Elantra. Se o critério de comparação for motor, o do Jetta é bom, porém os dos concorrentes são melhores (modernos). Em outras palavras, os concorrentes podem ser melhores em pontos isolados, porém o Jetta consegue ter um menor desvio-padrão entre o que os outros são melhores e piores, resultando em um conjunto equilibrado. O que quero dizer é que mesmo se ele não for melhor que os outros em tudo, no fim das contas ele acaba sendo melhor do que os outros por apresentar uma regularidade. Assim, o Jetta Comfortline tem tudo para ter um bom desempenho na faixa entre R$ 65 mil – R$ 80 mil pelo fato de que aí estão concentrados os maiores volumes de venda do segmento. Acima disso, apesar do Highline ser oferecido apenas na opção à gasolina, ele busca o mesmo comprador do Jetta 2.5 antigo, do Fusion 2.5 e 3.0 V6, Azera V6, Sonata 2.4, Civic EXS, Corolla Altis e Vectra Elite. Nessa faixa temos opções de R$ 85 mil até R$ 100 mil. É muito cedo para projetar um futuro, ademais, alguns concorrentes estão em final do ciclo de vida (No caso do Civic, virá uma nova geração em setembro, e o Vectra vai dar lugar ao Cruze) o que pode implicar em uma mudança na dinâmica desse mercado, sendo que o mesmo fator “novidade” que o Jetta está usufruindo hoje, os próximos terão a mesma oportunidade. A certeza é de que os que estão para chegar virão competitivos e o melhor disso tudo é que o consumidor só tem a ganhar com essa ampliação de oferta. Confesso que fui positivamente surpreendido com o novo carro e tive a oportunidade e o prazer de experimentar as duas versões. Fui cliente VW por muitos anos, feliz proprietário de 3 Golf (um GLX 2.0 mexicano de 1997 a 1999, o primeiro 2.0 Comfortline nacional de 1999 a 2002 e outro 2.0 Comfortline de 2002 a 2005) sentia falta que a marca tivesse outro carro fosse expressivo e que se tornasse referência no segmento que atua. O que espero, é que essa mesma efervescência que estamos vendo no segmento dos sedans médios, em virtude de tantos lançamentos em tão pouco tempo, evidenciando um aumento do poder de compra nos níveis mais altos de renda (classe média / média-alta / alta-baixa / alta-média) de uma maneira indireta ou até mesmo direta, sirva de referencial para aplicar os mesmo conceitos para os segmentos abaixo, de forma que contribua para formar uma frota com mais qualidade a médio e longo prazo e não simplesmente algo efêmero e pontual. Temos carros bons, mas podemos ter melhores. Um abraço!
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