sábado, 31 de julho de 2010

Der Amarok

Der Amarok. Na Alemanha, ela seria apresentada assim. No Brasil, por sua vez ela foi apresentada como sendo a “bola da vez” ou a “picape da vez”. O nome quer dizer lobo na língua dos esquimós Inuit. Wolf em alemão é lobo. Wolfsburg em uma tradução bem aproximada é a cidade dos lobos e a sede da Volkswagen na Alemanha. A ligação da VW com lobo pode ser explicada assim. É claro que eu não falo a língua dos esquimós, isso eu pude verificar na imprensa especializada. Nesse texto, eu quero apenas expressar a minha opinião em relação ao produto. O produto picape foi idealizado para transporte de cargas ou algo parecido, na sua essência é um veiculo voltado ao trabalho e sempre imaginamos algo relacionado ao campo. Fato é que ao longo dos tempos, foi conquistando a preferência de muitos usuários urbanos, fazendo muitas vezes o veículo utilizado no dia a dia. Dessa forma, a indústria viu a oportunidade de criar picapes urbanas (e também utilitários esportivos os SUVs) com atributos tecnológicos e performance para chegar a lugares que sequer alguém pensou em ir e possivelmente irá. Trocando em miúdos, os recursos disponíveis em alguns modelos desses veículos têm a mesma utilidade que uma bomba atômica para o Vaticano. O interessante que isso faz vender picapes e utilitários esporte. “Sua picape pode atravessar trechos alagados em até 70 cm!” Isso apenas traz aos seus proprietários um conforto psicológico, pois se um dia a cidade alagar, eles poderão atravessar a enchente. Que fique bem claro, por mais que sua picape tenha esses recursos, é preciso saber usá-los. 90% dos proprietários de picapes, nunca utilizaram a tração 4x4, muito menos a reduzida. Alguém disse que comprar picapes 4x4 é melhor pra revenda e nunca se viu tantas picapes com esse equipamento sendo emplacadas. Mas ok, vamos falar da Amarok. Eu dirigi, posso falar. De todas as picapes médias do mercado hoje, ela é a mais nova integrante. Está à venda há exatos 2 meses. Como produto, ela tem a mesma essência das suas concorrentes diretas, mas existem algumas diferenças. O benchmark é a Hilux SRV da Toyota, ou seja, é a líder do mercado e aquilo que todas pretendem superar. A VW em minha opinião tentou, poderia ter sido mais assertiva. A dirigibilidade e a ergonomia dela são ótimas, iguais à da Hilux, você se sente dentro de um carro de passeio, no caso da Toyota é um “Corollão”, no caso da VW, é um “Jettão”. Se for o caso, dirija esses carros pra entender o que eu estou falando. Quanto ao acabamento, ambas desempenham bem, particularmente a VW aparenta ter mais luxo do que o da Toyota. Nesse ponto, as duas estão bem servidas. Quanto aos equipamentos e acessórios, a VW poderia ter sido mais cuidadosa e ou observadora. A Hilux tem volante multifuncional a Amarok não. VW por favor, a Saveiro tem (é opcional ok, mas ela custa 40 mil!!) Pelo preço da picape e pelo tipo do cliente, isso faz falta. A Hilux tem a opção de dois câmbios, a Amarok não. Se a intenção for comparar as duas picapes com caixa manual, dá pra ficar com dúvida em qual levar pra casa, a única ressalva quanto à VW são as 6 marchas que não é muito comum por aqui em carros de passeio e muito menos em picapes. Requer um período de adaptação. Eu apanhei um pouco. A Nissan Frontier manual também tem 6 e só. Também não vende muito. Segundo conversa com vendedores da rede, a VW quis ser “purista” (não sei se é esse o termo!) em oferecer somente a caixa manual, mas o mercado mostra que 90% das picapes médias são automáticas. O que nos leva a crer que a grande maioria das picapes vendidas são modelos topos da linha, o que mostra ainda que o perfil do cliente é de alta renda. Se a VW quis começar bem poderia já ter entrado com o produto “acertado” para atingir esse cliente. Ainda, ao invés de vender estribos como acessório, poderia ser de série, todas as topo de linha possuem. A picape da Toyota tem venda mensal média de 2.500 unidades e nesses dois meses de Amarok, foram vendidas um total de apenas 1.500. É pouco, muito pouco pra chegar e superar a Hilux, mas segundo informações da rede da VW, até o próximo ano, ela terá a opção automática. Um ponto que se deve levar muito em consideração é que esse motor da Amarok é compacto, silencioso, econômico e muito mais moderno do que o da Toyota. Esse motor foi feito pra Amarok, não tem em outro veículo na linha da VW. Mesmo sendo 2.0 a diesel desenvolve a mesma potência da Hilux, graças à dois turbos que segundo um vendedor da rede me informou que eles abrem em diferentes rotações. De uma maneira geral, a Amarok é uma picape muito gostosa de dirigir e como a VW diz, é realmente tudo novo, tudo cheira à novidade. A VW tem tudo ao favor dela pra conseguir a liderança nesse segmento, destaque para a gigantesca vantagem na sua rede de distribuição em relação a todas as outras concorrentes que somadas não chegam perto. Fazendo uma análise SWOT, o ponto forte da grande rede de distribuição, traz consigo também um ponto fraco que é a questão do preparo da rede em vender um veículo desse tipo, que historicamente nunca vendeu uma picape e esse cliente merece uma atenção diferenciada do comprador de um carro de passeio qualquer, independente do modelo e preço. Sou fã de veículos 4x4, especialmente de picapes e entusiasta de automóveis em geral. Ainda não tive a oportunidade e o prazer de possuir um veículo desses, mas torço para que esse dia chegue logo e que a indústria cada vez mais ofereça produtos com muito valor agregado e com capacidade off-road pra subir o Everest, mesmo que eu vá apenas para o shopping em um final de semana de sol. Um grande abraço!