sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O negócio de fazer negócio

Em outubro temos que eleger novos representantes do poder executivo e legislativo na esfera estadual e federal. Esse ciclo tem periodicidade de 4 anos e somos obrigados (literalmente) a escolher entre muitos, aqueles que mais se aproximam de nossos valores pessoais, morais e que estejam dentro de uma ideologia política que de certa forma compartilhamos. Para o processo de escolha, temos os profissionais do marketing eleitoral que direcionam o produto (candidato) para o perfil do consumidor desejado (eleitor), que nesse caso na sua essência é um mercado de massa. De maneira semelhante ao nosso dever cívico, a mídia faz com que a cada período (1, 2, 3, 4 anos ou mais) de uma maneira muito mais democrática e voluntária sejamos convidados a eleger nosso próximo veículo. Isso acontece todo dia. Pelo menos no município de São Paulo, em média são vendidos 800 carros 0km por dia. Ou seja, pelo menos em São Paulo, são 800 novos eleitores que precisam eleger seus candidatos por dia. Se ampliarmos esse universo para o estado de São Paulo, temos concentrado 44 milhões de habitantes que representam 24% da população e 40% da renda do Brasil. É muita gente. É muito dinheiro. São muitos negócios. Historicamente o Brasil vive seu melhor momento do que diz respeito à indústria automobilística, mas isso pode ser explicado por alguns motivos dentre eles a manutenção da estabilidade econômica proporcionada pela reforma monetária em 1994 – O Real, que fez com que a inflação ficasse sob controle e assim mantendo o poder de compra da população em média estável, facilitando a gestão, o planejamento e o controle dos gastos de empresas e famílias. Outro fator importante é que com o aquecimento global da economia (não tem nada a ver com o do clima!!) fez com diversos setores da economia gozassem e usufruíssem de bons resultados, que em um segundo momento resultou no aumento do emprego e claro da renda, assim mantendo o ciclo virtuoso de crescimento econômico. Nesse período de franco crescimento da indústria automotiva que compreende os anos de 2005 até os dias atuais, houve um aumento da mobilidade social de algumas famílias, ascendendo na pirâmide, se tornando classe média. A classe média por sua vez é a que mais merece atenção no que diz respeito a consumo, pois ela é formadora de opinião e ainda tem uma necessidade muito grande em adquirir cada vez mais produtos (demanda reprimida) a cada unidade adicional de renda ganha. Assim, a classe média vai às compras. E ela também representa grande parcela na compra do automóvel 0km. A classe média alta e classe alta também compram. Assim, esses eleitores precisam eleger seus candidatos, mas quando? O voto que na verdade é o dinheiro (ou o acesso a ele) é que vai determinar a sua eleição pessoal. Da mesma maneira que ovo de páscoa é só na páscoa, em determinados períodos do ano, a compra de um carro pode ser mais vantajosa. Então, qual seria? Bom basicamente, a melhor época compreende os meses de Setembro a Dezembro / Janeiro, pois é nessa época que as marcas estão mudando o ano modelo de seus produtos (ainda, há mais dinheiro em circulação por causa do 13° salário) e pode ser vantajosa a compra de um modelo fabricação / ano modelo 2010/10 do que um 2010/11 e também pelo fato de encerrar o ano com estoques reduzidos. (De Fevereiro até Abril, tem carnaval, IPVA, IPTU, são as despesas do início de ano). Por quê? Simples, se o carro em questão não tiver nenhuma alteração externa radical, o desconto pode ser atrativo e em alguns modelos essa economia é significativa. Na teoria você compra um carro com desconto do modelo anterior que na verdade ainda está atual (no mercado o que vale é o ano modelo e não ano fabricação!) e na prática é um carro que não mudou absolutamente nada e não justifica um preço maior para que no documento seja “1 ano mais novo”. Ainda, essa economia será usada para custear o licenciamento / emplacamento, IPVA e ainda o seguro privado. O que muitos não levam em consideração é que para sair rodando com o carro, ele geralmente custa de 5 a 10% a mais do valor pago para sair rodando da concessionária e em seu nome. Se o vendedor vier com aquele papo de comprar o modelo 2010/11 é melhor “porque já é 2011” e se você precisar vender e vale mais. Isso é bobagem, pois é justamente no primeiro ano que o carro mais desvaloriza e o valor de tabela que existe na teoria, ele só serve na verdade de um referencial para as o cálculo das indenizações de sinistros, imposto (IPVA) e negociação entre particulares, pois na prática quando seu carro é dado como moeda de troca por outro em qualquer concessionária, a depreciação varia de 20 a 30% dependendo do modelo. Em outras palavras, se você comprar hoje um carro e exatamente daqui a 1 ano, seu prejuízo será de pelo menos 25%, simplesmente para mudar de 1 ano para o outro. Isso claro se seu veículo não tiver sofrido nenhum tipo de alteração radical como mudança de geração. Utilizando como exemplo um veículo que já foi considerado o que menos sofre com a desvalorização segundo a imprensa especializada, o Honda FIT LX 1.4 Flex Manual 0km, custa R$ 52.300,00. Se você por algum motivo quisesse vender o carro, mesmo ele sendo “do ano”, porém semi-novo, estaria valendo 48.100,00 uma diferença de 8% em dias ou meses (só pelo fato do carro estar documentado, perderam-se 8% + custos de licenciamento e emplacamento independente de quilometragem). Ainda, se passado os 12 meses você fosse trocar esse mesmo carro, ele estaria valendo R$ 45.290,00, ou seja, 13% a menos. Isso considerando que você está vendendo o carro para seu pai, tio, tia, irmã ou para um amigo muito próximo que lhe deva um favor. A realidade do mercado é outra. Se você voltar na concessionária, seu carro estaria valendo os R$ 45.290,00 – 10% que resultaria em R$ 40.700,00 que resulta na perda em relação ao preço pago em 23% sem contar custos do emplacamento no 1° ano. Isso considerando um carro que tem um histórico bom de vendas, de boa reputação no mercado tanto quanto à manutenção e confiabilidade da marca. Para veículos maiores e mais caros, talvez esses valores em dinheiro possam ser duplicados. O negócio de comprar um carro é um processo que custa dinheiro, para quem não tem dinheiro de sobra pra ficar satisfazendo as suas vontades sobre rodas é preciso analisar todas essas variantes e as alternativas. À vista é sempre o melhor negócio, pois temos a vantagem de conseguir bons descontos. Dependendo do tempo que você pretende ficar com um carro, vale a pena até optar por modelos mais completos ao invés de colocar opcionais em um modelo básico, pois no longo prazo as perdas se estabilizam e o valor a maior que está sendo gasto agora, qualitativamente falando, esse investimento pode valer à pena. Isso é claro, depende do bolso e a necessidade de cada um. Uma dica válida é que quando for negociar um carro de baixo valor agregado, a margem do concessionário fica em torno de 1,5 a 3%, entenda isso até a faixa dos R$ 35 - 40 mil (os 1.0 em sua grande maioria). Acima disso, a margem aumenta, fica em torno de 8% em média. Tanto que nos carros 1.0, o concessionário sempre dá o desconto “máximo” que mesmo assim ele está ganhando 1,5%. Nos carros de maior valor agregado, os descontos chegam a 5%, pois eles garantem a margem de 3%. Isso varia de marca pra marca e de alguns modelos em específico (por exemplo, no caso da VW, a Parati é o carro que tem a maior margem de lucro em percentual, pois o custo é quase igual ao Gol e o preço de venda é superior, é uma das explicações de ainda estar em produção sendo ainda um fato raro ver propaganda dela em específico e praticamente toda sua venda é direcionada à frotistas), mas na média é assim que funciona. Quer conferir? Faça o teste e feche o negócio. Um abraço!

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